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Artigos de Opinião

O dumping é sempre uma técnica egoísta. Ou pela necessidade urgente, ou pela rotatividade, ou pela experimentação/lançamento.

O objectivo é sempre unilateral e só defende o interesse de quem o pratica. O que me espanta é que se crie em volta do preço baixo, abaixo do valor de custo e do mercado, uma áurea em que o cliente, não só o valorize como ainda tenha a ilusão de obter melhor serviço, capacidade de resposta e mais resultados!

Parece óbvio mas não é, que a redução de um preço no mercado não traga mesmo nada mais de valor acrescentado que não seja isso mesmo, um preço mais baixo. Não se compreende como é que o cliente pode valorizar algo mais que não seja apenas isso, o preço mais baixo. Não é portanto razoável que se tenha em expectativa nada mais a não ser o acesso ao produto ou serviço daquela marca, certo? Mas esse é outro objetivo! É o segundo, estão a ver? O primeiro entretanto já goleou e marcou pontinhos…

Só há duas estratégias corporativas - as que se querem demarcar pela diferenciação, valor e rigoralidade (que é uma palavra que inventei para associar rigor com qualidade, já que parece que qualidade não vale nada e é sempre algo muito discutível e com mais prismas do que um polígono de geometria…) e as que procuram a maior quantidade pela atividade QB, que na prática, também nunca se sabe muito bem até onde vai o QB definido e o que o cliente espera.

A jogada mais simples é, como dizia o meu Prof. António Madeira KISS - keep it stupidly simple e, na base alavanca-se o preço e não há dúvidas.

Tudo o resto é “à parte”. Também é “à parte” a relação e o envolvimento? O profissionalismo e o  acompanhamento? A estratégia, já agora… É que hoje só no aconselhamento, formação e  orientação há mais valor do que na prática de implementação. Nesta última, já há muitas mãos capazes, de facto, mas na primeira… Qual é o valor da massa cinzenta? Qual é o valor da criatividade? Qual é o valor da Estratégia?

O dumping é sem dúvida uma técnica discutível e polémica e que, em momentos de crise, como os que vivemos há alguns anos são normalmente utilizadas por quem já não sabe mais o que fazer. Quando falta a criatividade e percebe-se que não há visão (mas também esta lógica fica aqui, surpreendentemente apagada no lume fugaz do sucesso da quantidade).

É portanto um fenómeno cuja reflexão aqui hoje partilho. Se é tão óbvio e limitado o egoísmo do dumping, que denuncia por si só quem e o quê, porque que razão recolhe tanto impacto no mercado e cria, (perdoem-me mas o meu professor é que disse), estupidamente a sensação de que serve, cumpre e chega. Suficientemente, claro.

 E quando a cópia acabar? Volta-se à fonte!

Isabel Augusto
Diretora-Geral da Green Media
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